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quinta-feira, 8 de junho de 2023

Vivendo o luto

 Talvez vocês achem que eu estou ficando esgotado, ou até mesmo achem que sou forte o suficiente. Perder pessoas nunca foi fácil para mim. Acho que para ninguém, algumas pessoas conseguem evitar essas energias, evitar dores e até mesmo conseguir recuperar o luto, ou seja, recuperar a vida para voltar a ficar bem novamente. Mas tudo é um processo, durante esses meses de 2022 e 2023 perdi pessoas queridas que cuidaram de mim e sempre acreditaram no meu potencial. Não é fácil, dói para "caramba". Meu fortalecimento sempre foi meu orixá, sempre me colocou no colo e me balançou até eu dormi tranquila. Os dias passam e a saudade a cada dia aumenta, mas eu espero que dê tempo de dizer "eu te amo, estou aqui" para todos que amo e quero o bem. A dor do luto é terrível, você fica sem chão, mas o mundo não para pra que a gente fique bem de novo, o mundo tem seus momentos e precisamos aproveitar cada um deles, senão amanhã você terá que sofrer por uma pessoa novamente. Sempre me questiono sobre minhas inseguranças de me apegar de novo a um amigo, tia, madrinha, amiga... Sei lá, eu fico com medo de me apegar novamente e ter o mesmo resultado, preciso aceitar o luto, senão uma parte de mim sempre irá embora. Preciso me acostumar com a frase: "um dia todos nós iremos embora". Eu tenho medo de morrer, nunca soube o que é se apagar até dormi oito horas, mas também tenho medo de dormi e nunca mais voltar, porque a dor de perder alguém querido é terrível. Eu realmente não sei o que é ALÉM DA ETERNIDADE. Sobre amenizar, amenizo muito. O handebol foi quem me ajudou a tirar o foco da morte do meu pai, hoje o CANDOMBLÉ me ajuda, me refaz, me preenche para saber que os ciclos se fecham e precisamos saber lidar com isso. 




FREIRE, Daniela.

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