Seguidores

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Feita de apocalipes

 

Abraçando o mundo com toda minha força e mantendo o sorriso no lugar sob máscaras variadas alternando em cores. Lampejos de verdade perpassam o rosto enquanto tensiono mais uma vez a mandíbula e sustento a expressão mais neutra que dou conta - hoje (...) É sempre sobre o hoje e eu não sei ao certo como seria, dói. Furacões seguidos de tsunamis, vulcões acompanhados de terremotos. Sou destrutiva e construtiva, porém não vou te deixar ver meus destroços. Não vou te convidar para a sala de espera enquanto grito com os espelhos. Engano bem, sem olhar a quem, entrego falas que convencem porque sou treinada para isso durante todo o tempo, existiram anos que eu não me reconhecia e precisei me reencontrar. A melhor forma de fazer com que não prestem tanta atenção em você é, provavelmente, esperar que ninguém te note. Ninguém nunca notou meu desastre, ninguém nunca viu que sou um apocalipse emocional ambulante, esbarrando em quinas e mundos, só viram o que eu realmente quis mostrar. Só não se engane pensando que lê um pedido de socorro, pois isso está muito longe de sê-lo. Não se engane pensando que está lendo um pedido de ajuda desesperado, pois não te peço nada aqui. Eu só te digo uma fração dos pensamentos que correm em minhas veias quando estou sozinha. Tento dia após dia equilibrar a balança entre a eu que atua e a eu que vive, a que se faz de inteira e a que aceita o vazio inevitável de existir. Esbarro, sim, em mil perguntas e respostas, coisas não ditas e não feitas, em pura expansão de caos. Me perco nos caminhos e me encontro com a mesma confusão, tudo isso porque estou tentando me tornar outra coisa antes que perca a habilidade de ser mais que já fui. Há um novo apocalipse para surgir amanhã, tão destrutivo quanto o de hoje, porém ainda mais belo. no fim do dia, a conclusão é ambígua e desajeitada: o fim do mundo é avassalador, mas também enche os olhos com suas cores em colisão. sou feita de apocalipses que se transmutaram em novos universos, feita do caos que dá corpo aos meus medos e voz às minhas coragens. (Desabafo de 2015) - FREIRE, Daniela.

terça-feira, 22 de novembro de 2022

Sobre o doer e o doar

Minha entrega não é parcial!!! É importante que se saiba disso antes de andar por estes caminhos. ainda que seja comum dizer-se desmedido, sem limites, me disponho a informar que sobram espaços vazios e preenchimentos intermitentes. Meus gritos inaudíveis ressoam em frequências específicas e chegam aos ouvidos dos que sabem ouvir. Também, doando energia ao universo que se expande, me consolido enquanto potência de vida que tem algo a falar - e eu tenho. ainda que doam os ossos e, nos dias mais frios, a alma, pago o preço de viver genuinamente as conexões invisíveis que constroem a rede de afetos que me tornei. Dói existir com verdade. É muito custoso esticar-se sem limites, mas o faço antes que perceba a branquidão nos nós dos dedos e a fala oscilante. Ser é crescer, construir, significar. não tolero mais ser apenas mais uma caixa de canto de cômodo, sem nada a oferecer exceto em momentos específicos. quero doar ao futuro aquilo que me move em direção às incertezas e as perguntas jamais investigadas - algumas jamais feitas. Faço perguntas que cansaram de latejar sob minha pele, que me são latentes na existência, em busca de respostas a serem produzidas (ou não). As carnes trêmulas e eu só queria que aquele suor na mão parasse de qualquer forma, porque algo que mexe em um dos meus pontos fracos, me deixa perdida mesmo com a consciência limpa. É que dói se doar ao movimento de existir amplamente, entretanto, dói mais ainda me negar a ser potência que se alastra por todo canto em direção a todo lugar e lugar nenhum. Entre doer e doar escolho ressoar para mais do que as palavras significam.

Existir dói, por vezes, mas inexistir dói bem mais. FREIRE, Daniela.

VAI

VAI

nesta morada comum, nessa galáxia, e em outras mais que nosso brilho reverbera, pulsamos frequências diferentes. às vezes parece que nos alcançamos com pressa demais, só que o tempo mostrou que foi tudo feito da forma mais suave. seria intensidade o nome da única forma que sei me afetar? tu revoluciona até meus bom-dias mais simples, meus adeus mais longos, minhas falas desconexas. conquistamos universos mais sempre que nos encontramos neste momento singular do tempo, nessa fatia tão gostosa da vida em que você habita alguns lugares que eu habito. sua presença preenche, consome sem tirar nada além da minha serenidade de não ter tantas perguntas a fazer. você nem mesmo responde algumas delas, só olha e sorri como se também tivesse as suas próprias. pintamos em aquarela as interrogações, sentimos canções, abraçamos vazios. contigo eu não sei para onde vou, mas vou mesmo assim porque te escuto ecoar nos meus sonhos. sua voz doce incentiva minhas expansões, a minha prediz seus voos e a gente voa. voa e vai. vai e voa. sem perder de vista essa sensação que mexe bem dentro, sem correr para explicar qual o tema da festa, sem negar a coragem de ceder espaços imensuráveis de existência para novas colisões. eu invento palavras, prolongo frases, você me lê com atenção que jamais encontrei. quando nossas almas se tocam, não há encerramento de nada, nem das dúvidas. [se a saudade chegar a gente não tem que matar o que nasceu] e a gente segue não arrancando nada que criou raiz enquanto plantamos novas sementes. - oh, sorte! FREIRE, Daniela.

Uma mistura de sentimentos

 Um dia me olharam o disseram que eu era muito raiz, tinha algo que nenhuma outra pessoa adquiriu. A verdade é que eu sempre tive um mistério nos meus olhos e eles me entregam para qualquer pessoa, porque é através dos meus olhos que às pessoas me conhecem. Certo dia eu estava tão triste que no canto do quarto eu pedir a Deus que me salvasse de tudo que fosse ruim, pedir para meus Orixás me guiar e me orientar por onde eu deveria começar. Tem dias que você só precisa deitar e descansar a mente, onde nada e nem ninguém poderá conversar com você, mas apenas lhe abraçar e dizer: "tudo vai ficar bem", é preciso ter medo para se ter coragem, é preciso sentir tudo para não sentir mais nada, porque a frieza nos deixa mais forte, mas pode destruir pessoas com que convive. É interessante quando tudo não faz sentido ou quando já faz muito sentido, se está pouco a gente reclama, se está muito a gente adoece. Porque nada faz sentido se não for do jeito que queremos. Mas não é assim que a "banda toca", precisamos encarar a vida com sabedoria e viver intensamente, mas nunca pisar e nem se descuidar, porque o mundo ainda existem pessoas que façam a diferença nas nossas vida. Um dia você passará por uma prova difícil, um dia alguém que você ama/amava muito parte, seja para morte ou para vida. Porque estamos em constante evolução, por isso e mais vezes às pessoas tem o hábito de nos deixar confusas e cheias de "minhocas" onde poderia existir borboletas coloridas e brilho no nosso sorriso. Que possamos amadurecer o suficiente, entender o outro e nos entender, nos amar primeiro e depois amar às pessoas, cuidar de si é o suficiente, o resto a gente conquista com o nosso amor, cuidado, compreensão, atenção e confiança. 



FREIRE, Daniela.

Gatilho

Me veio você na mente ontem (15/02), sei lá… amiga, tem dias que sinto a sua falta e não sei como reagir a esse sentimento, prometo que irei...