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quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Esgotamento

Chego em casa com uma áurea exaustiva e deprimida. mais uma vez detonado pela correria do cotidiano da vida adulta, minha mãe me consome porque não me entende. Mesmo sendo adulta ela questiona suas rotinas anuais e como era o eu no passado. Após trancar a porta e tirar os sapatos, adentro rumo ao meu quarto, enquanto tento conter muitas lágrimas pesadas e teimosas que insistem em sair, mas choro nos pés do Orixá. A causa do meu choro na maioria das vezes é um mistério, pois vivo sobrecarregada de problemas corriqueiros e pessoais, que, em hipótese alguma gostaria de tê-los, entretanto, não assumo o controle de nada. todo o meu corpo começa a pesar, não apenas pelo cansaço de um dia inteiro de trabalho e estresse, mas também pelo emocional fragilizado; debilitado o suficiente para ser idêntica a uma múmia decomposta e seca. entro arrastando-me aos poucos, enquanto me apoio nas paredes com muito frio e vazio; tão vazio quanto eu, posso ter tudo, mas algo me consome; (porque todo excesso esconde uma falta), me liberto de todas as roupas e vou até o banheiro, girando o registro do chuveiro para deixar a água quente relaxar os meus músculos tensos e doloridos, não mais que o meu coração que está acelerado. a minha respiração não fica para trás; acelerada. Talvez seja mais uma daquelas crises de ansiedade, as lágrimas que antes estavam contidas, saem aos montes. Começo a me ensaboar, e tal ato é acompanhado por um pranto silencioso e avassalador com direito a soluços e uma intensa vermelhidão que vai do rosto até às orelhas. uma dor imensa assume o comando do meu ser, que mesmo recebendo um banho de água quente, treme de cima a baixo. ajoelho-me apoiando as costas na parede, enquanto a água cai e o vapor sobe, fico nesse processo até forçar o fim daquilo; conseguindo com muita dificuldade. ergo-me fechando o registro e logo após, encaro o meu rosto avermelhado com um semblante sofrido, olhos ruborizados e ardidos. Sei que o choro não resolve nenhum dos meus problemas, mas eu nunca chorei para os resolver e sim na tentativa de aliviar o meu sofrimento, o banho lava o meu corpo e o choro, minh'alma. FREIRE, Daniela.

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