VAI
nesta morada comum, nessa galáxia, e em outras mais que nosso brilho reverbera, pulsamos frequências diferentes. às vezes parece que nos alcançamos com pressa demais, só que o tempo mostrou que foi tudo feito da forma mais suave. seria intensidade o nome da única forma que sei me afetar? tu revoluciona até meus bom-dias mais simples, meus adeus mais longos, minhas falas desconexas. conquistamos universos mais sempre que nos encontramos neste momento singular do tempo, nessa fatia tão gostosa da vida em que você habita alguns lugares que eu habito. sua presença preenche, consome sem tirar nada além da minha serenidade de não ter tantas perguntas a fazer. você nem mesmo responde algumas delas, só olha e sorri como se também tivesse as suas próprias. pintamos em aquarela as interrogações, sentimos canções, abraçamos vazios. contigo eu não sei para onde vou, mas vou mesmo assim porque te escuto ecoar nos meus sonhos. sua voz doce incentiva minhas expansões, a minha prediz seus voos e a gente voa. voa e vai. vai e voa. sem perder de vista essa sensação que mexe bem dentro, sem correr para explicar qual o tema da festa, sem negar a coragem de ceder espaços imensuráveis de existência para novas colisões. eu invento palavras, prolongo frases, você me lê com atenção que jamais encontrei. quando nossas almas se tocam, não há encerramento de nada, nem das dúvidas. [se a saudade chegar a gente não tem que matar o que nasceu] e a gente segue não arrancando nada que criou raiz enquanto plantamos novas sementes. - oh, sorte! FREIRE, Daniela.
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