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segunda-feira, 21 de junho de 2021

Painho, insuficiência...

Quando meu pai morreu, eu estava sentada na mesa da sala de estar, terminando uma atividade escolar. Ele partiu a tarde e não houve aviso. Não senti um calafrio, tampouco uma onda de emoção; o vento não mudou de direção, a Terra não parou, não aconteceu nenhuma tempestade indicando que algo tremendamente pavoroso tinha acontecido. Era só mais uma tarde comum. Aparentemente, nada estava fora do lugar. Só recebi a notícia duas horas depois, às 14:00h, depois de terminar a atividade. Minha tia estava no telefone, no sofá, com o olhar de alguém que carrega notícias dolorosas. Ela olhou em minha direção e eu soube que a pessoa mais cheia de energia, o centro de minha família paterna, o sol em torno do qual a família girava, tinha partido para nunca mais voltar. Foi a notícia mais triste que recebi até então; passamos a madrugada entre lágrimas, lembranças, inconformismo e tristeza.  Nada fazia sentido. O canto dos pássaros e o dia de céu aberto, sem nuvens, com o sol todo poderoso a fustigar qualquer sinal de escuridão, pareciam zombar de minha tristeza. Depois que ele partiu a minha vida mudou completamente, foi doloroso a sua ausência. A quantidade de lágrimas derramadas em seu velório não mudou sua imobilidade, tampouco alterou a força da Morte. A Terra continuou seu curso ao redor do sol, as pessoas seguiam com seus afazeres diários sem consciência da desgraça ocorrida; foi como se nada tivesse acontecido,porque eu sentir e sinto muito.💔
"todo excesso esconde uma falta". 

-Daniela Freire

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